Por que acreditamos

7579_214390128685507_73518404_nFoto: Jeff Anderson

Acontece sempre a mesma coisa, os adultos não acreditam inicialmente, desconfiam e são mais resistentes as “Gentilezas Urbanas” do que as crianças.

Estávamos na escadaria ateliê Brasil no Cambuci  arrumando as bicicletas do programa Pedal Social que vai funcionar ali nos próximos dias. Eu, Jeff Anderson e alguns adolescentes que não foram a escola em função do feriado de Páscoa e foram  lá  para ajudar. Fui acompanhar um menino de 14 anos  que mora numa ocupação  próxima e que sempre esta disposto a cooperar nos projetos sociais da região até a loja de materiais de construção do “portugês”, seguimos juntos para comprar a querosene que serviria  para passar nas correntes enferrujadas das bicicletas que foram doadas para o programa e tivemos uma boa conversa durante o caminho. A primeira pergunta que ele me fez foi se havia feito faculdade, respondi que havia feito comunicação social e que havia me especializado em transportes muito depois…  Me contou que queria fazer um curso de mecânica  pois seu sonho  era ser “Torneiro Mecânico”, que meninos da sua idade não gostavam de estudar e que a falta de oportunidades de trabalho, melhor remuneração, levam a maioria dos  meninos para o crime.  Contou-me  que admirava muito o  trabalho do Jeff Anderson  ( Instituto Brasis) porque ele levou a arte para a ocupação criativa, que é uma das coisas que ele mais gosta de fazer,  melhorar a vida das pessoas através da arte, os adultos não entendem, mas toda a “molecada” da ocupação,  gosta, ajuda e quer fazer parte.

Me perguntou porque eu havia doado tantas bicicletas? Eu disse a ele que não havia doado nenhuma, na verdade foram doadas muitas pessoas da cidade de  São Paulo e que as bicicletas seriam emprestadas gratuitamente para as pessoas que não tem dinheiro para o transporte público e aos finais de semana para um projeto junto com adolescentes da região inclusive ele. Concordou que o transporte público era mesmo caro e que na ocupação muita gente tirava o próprio sustento lá mesmo e não precisava gastar dinheiro,  oferecendo mão de obra em serviços autônomos voltados para construção civil e concertos em geral, outras pessoas tinham que buscar seus sustentos fora e  que a maioria necessitava de transportes públicos essas poderiam usar o Pedal Social.  Continuou me perguntando porquê eu fazia isso?  Disse a ele que eu acredito que o transporte é um meio de levar desenvolvimento social para as comunidades,  ou seja, precisa ser um meio para gerar renda e melhorar a vida das pessoas e não ser apenas uma forma de comprometer a metade dos seus  salários… se as pessoas gastam muito com transporte acabam deixando de fazer outras coisas importantes como melhor estudo, alimentação e lazer  e muitas outras coisas básicas que as pessoas precisam ter acesso e que se pudéssemos aumentar a quantidade de empregos na região, poucas pessoas necessitariam ter que pagar os altos custos de transportes públicos.

Faz todo o sentido, disse-me o menino de 14 anos.

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